| MADEIRA |

“... a Madeira é o grande padrão imorredouro,
que verdadeiramente marca o auspicioso início dessa portentosa odisseia
desenvolvida através dos Oceanos e continentes desconhecidos”. (In Elucidário
Madeirense).
A Ilha da Madeira é o a maior do arquipélago que tem o seu nome. Todas as ilhas
que constituem este arquipélago têm origem vulcânica. Compreende para além da
Ilha da Madeira, a do Porto Santo, as Desertas, e as Selvagens.
A Ilha da Madeira tem cerca de 737 Km2 e o Arquipélago tem uma extensão total
que rondará os 796 Km2.
O maior comprimento da Ilha da Madeira, na direcção leste-oeste, tendo como
limites extremos as pontas de São Lourenço e a do Tristão, é de cerca de 58 Km e
a maior largura entre as pontas de São Jorge e da Cruz é de cerca de 23 Km; e a
maior elevação é a do Pico Ruivo com 1861 metros.
A descoberta da Madeira deve-se aos portugueses e terá ocorrido muito antes da
chegada de João Gonçalves Zarco, provavelmente entre 1317 e 1336, isto porque a
Madeira surgiu em mapas antes do ano da chegada de Zarco e Tristão Vaz ao Porto
Santo (1418/1419).
Na ânsia de um apoio seguro e não sucumbir Portugal na luta da Independência,
este preparando um alto sacrifício para pesar prontamente na balança das nossas
concessões e atrair o auxílio da Inglaterra. Ia ser doada à Infante D. Catarina,
filha de D. João IV e futura rainha inglesa, a jóia mais cara de Portugal - nos
presentes da noiva figuraria, se preciso fosse – a Ilha da Madeira.
Os trabalhos do povoamento empreendidos pelos dois donatários (Gonçalves Zarco e
Tristão Vaz Teixeira) deverão ter sido iniciados nos primeiros anos do segundo
quartel do século XV, isto é, nos anos de 1425 ou pouco tempo depois dessa
época.
O Rei ofereceu, os criminosos detidos nas cadeias do reino, dos quais Zarco só
aproveitou os isentos de culpa de fé, traição... recrutou mulheres das quais
robustas e afeiçoadas.
Sendo insuficiente o número de braços para o grande empreendimento colonizador
que se oferecia, recorreu-se aos cativos mouros, negros, canários, judeus e
indianos. Vieram cativos mouros das praças de África, negros da feitoria de
Arguim e de Angola, escravos da Índia. Os escravos mouros eram empregados no
arroteamento das terras, e os negros “na faina dos canaviais de açúcar,
transporte de vinho em odres e outros serviços mais rudes.”
Nos fins do século XV existiam tantos escravos na Madeira que foi proibida a
saída de muita gente para defesa das praças de África com medo não ficasse
desguarnecida a Ilha e sujeita a qualquer aventura dos cativos.
Não se julgue porém que a população da Madeira se formou com os primeiros
arroteadores. A falta de pessoas nobres, no princípio do povoamento, fez
Gonçalves Zarco pedir ao Rei quatro fidalgos, “homens conforme a sua qualidade
“, para maridos das filhas. D. Afonso V respondeu a Zarco dizendo; “Aí vos mando
quatro fidalgos para casardes vossas filhas, que se vós os dotardes a eles
segundo suas qualidades eu vos haverei por muito honrado e a eles por bem
dotados.” Foram Diogo Cabral, Diogo Afonso, Garcia Homem de Sousa e Martins
Mendes de Vasconcelos, dos quais “procedeu a mais ilustre geração da Ilha”.
Na época do povoamento, a Ilha encontrava-se deserta. Apenas se notaram aves e
lagartixas. Coberta por densa floresta, ainda hoje existem muitas espécies de
flora primitiva: dragoeiro, til, barbusano, loureiro, cedro, vinhático, urze e
outras.
O Clima tem sido considerado como dos mais saudáveis do Mundo, verificando-se
uma baixa variação entre as temperaturas médias do Inverno e as de Verão –
apenas 4 graus centígrados. De acordo com os micro-climas da Ilha,
introduziram-se as culturas: vinha, cana de açúcar, bananeira, papaia,
cerejeira, macieira, anoneira, o trigo, o milho, a batata-doce, a semilha e os
produtos hortícolas que continuam a ter, tal como no início grande peso na
economia madeirense.
A Madeira conheceu após o 25 de Abril de 1974 grande desenvolvimento, com o
estabelecimento do regime democrático, viu crescer os seus poderes autonómicos,
deixando de depender em questões fundamentais de Lisboa.
A Região Autónoma da Madeira tem 11 concelhos que se encontram divididos em
Freguesias.
Rico, o artesanato, onde avultam os bordados, os objectos feitos em vime, verga
ou giesta, os carapuços e barretes de lã, os brinquinhos e violas, os bonecos de
massa e os trabalhos de tartarugas.
Da culinária Madeirense fazem parte a espetada, os filetes de espada, os bifes
de atum, o milho frito e a carne vinho e alho.
Da doçaria local merecem destaque o bolo de mel, as broas de mel, as queijadas,
os sonhos e os rebuçados de funcho.
A Fauna madeirense, como a maior parte das faunas insulares, é caracterizada
pela ausência de mamíferos terrestres e pela pobreza em espécies de muitos
grupos largamente representados nas faunas continentais. A Madeira recebeu da
Europa a sua fauna e a sua flora indígenas, tendo sido as aves, os ventos e as
correntes marítimas os principais veículos das espécies animais e vegetais que a
povoam.
Os mamíferos terrestres existentes na Madeira, foram todos importados pelo
homem, tendo os primitivos colonizadores, encontrado apenas um mamífero – a foca
– ainda frequentemente nas Desertas, mas que já raramente apareceu nas costas
desta Ilha.
Notável pelo seu valor comercial á a cagarra, indígena, mas não sedentária, que
chega a estes mares na primavera e se ausenta no outono depois de ter deposto um
ovo por cada casal nas anfractuosidades das rochas marítimas, principalmente nas
Desertas e no grupo das Selvagens.
De interesse paisagístico é toda a Ilha, que conserva mais de 700 espécies de
plantas superiores, sendo mais de 100 endémicas, ou seja, que não se vêm em mais
nenhuma parte do Mundo.
Toda a Ilha da Madeira constitui um Parque Natural, com os seus 728 Km de
superfície, dado a abundância de singulares belezas naturais a que dá acesso,
fazem com que esta seja designada a “Pérola do Atlântico”, a “Ilha dos Amores”,
o “Éden” e o “Paraíso”.
Pode-se destacar de entre tantas e tão belas plantas as Orquídeas, os
Sapatinhos, as Estrelícias e as Gilbérias.
“Pois que toda ela é um Jardim e tudo o que nela se aproveita é Ouro”
Alvise de Cademosto
In Ilhas de Zarco
Elucidário Madeirense