FUNCHAL

Crê-se que foi o próprio Gonçalves Zarco que deu o nome “Funchal” ao local onde se fundou uma das primeiras povoações. Isto, porque o vale onde se situava, estava coberto de funcho por entre o imenso arvoredo.

Como que servindo de espaldar à Cidade e sobranceira a ela, em quase toda a sua extensão, levanta-se uma cordilheira ininterrupta de montes e colinas, coberta da mais opulenta e variada vegetação polvilhadas das mais pitorescas habitações.

Deve datar de 1451 a criação da Vila do Funchal que, em 1508 foi elevada à categoria de Cidade, “ a primeira que se criou nos nossos domínios ultramarinos”, como refere o Elucidário Madeirense.

A povoação, que serviu de núcleo à futura Cidade, tem cinco séculos de existência e foi erguida em terrenos muito irregulares e acidentados.

A cidade do Funchal era recomendada no Século XVI não só pela sua extensão mas “recomendava-se também pelo seu clima, pelo porto e por ser a sede da indústria e da navegação de todo arquipélago...”(in Elucidário Madeirense)

Ao longo dos séculos, a área da Cidade sofreu alterações e expandiu-se até atingir cerca de 750 hectares, como possui actualmente.

Data de 1425 a introdução da Cana do Açúcar na Madeira, tendo as primeiras estacas desta planta, sido plantadas no Campo do Duque, que era o terreno onde na Cidade do Funchal está hoje a Sé Catedral.

Em 1467 morre no Funchal o primeiro Capitão-donatário “João Gonçalves Zarco”.

A 21 de Agosto de 1508 por medida tomada pelo Rei D. Manuel a vila do Funchal passa a Cidade. Diz-nos o Dr. Aragão – “O marco fundamental ainda hoje existente é a Sé – que se conserva em perfeito estado”. Outros sinais da “Cidade do açúcar” ainda que adulterados, são a Alfândega e o Convento de Santa Clara.

O Funchal passou a funcionar a partir de 1767 como comarca, deu-se com a nomeação de carácter permanente dos juízes de fora e dos carregadores passando a administração da justiça a ter características regulares de acordo com a importância dos serviços que desempenhava.

O Funchal desde muito cedo tornou num lugar cosmopolita (recebia pessoas de muitos países). Desde o século XV que há trocas comerciais com a Flandres, que permitiram reunir na Ilha uma notável colecção de pintura flamenga, grande parte da qual se encontra no Museu de Arte Sacra.

O Funchal vive para o comércio e serviços, as industrias são poucas, mas com um significado crescente estando por isso a serem desenvolvidas as zonas industriais.

Embora a Cidade do Funchal, não tenha belezas e encantos deslumbradores, conserva uma acentuada e interessante feição regionalista, que lhe é peculiar e apresenta características próprias dignas do observador atento, que as condições mesológicas lhe imprimiram, oferecendo os ricos produtos das suas videiras, de reputação universal, os seus inimitáveis bordados, as suas frutas e incomparáveis flores de todo o ano, os típicos carros do Monte, a mais encantadora paisagem da criação, a sobredourar tudo isso, uma eterna Primavera e a nunca desmentida e sempre carinhosa hospitalidade dos seus habitantes.

Hoje, com cerca de 100 000 habitantes, é também Sede de Município e Sede de Diocese.